Depois de uma série de 3 vitórias seguidas, o Grêmio caiu com uma
derrota retumbante diante de um time carioca. Agora, diante de um novo
time carioca, é a hora em que os jogadores e a comissão devem se
perguntar qual o próximo passo. Qual a pretensão do Clube para este
Campeonato? De verdade, sem rodeios, onde queremos e podemos chegar?
Foi atípico perder de 4x0, mas foi também um sinal de alerta. O Grêmio
ainda é instável. Ainda balança sobre as próprias pernas e não apresenta
a consistência necessária a um campeonato de pontos corridos.
O Botafogo é o quarto colocado na tabela e vem de um empate, cedido ao
rival Flamengo no segundo tempo. Certamente os comandados de Caio Junior
vão tentar pelo menos um ponto no Olímpico. O técnico do alvi-negro
carioca afirma, sem papas na língua, que quer ser Campeão Brasileiro.
O Botafogo não contará com o volante Marcelo Mattos, que está suspenso.
Em seu lugar, entra o garoto Lucas Zen. Apesar de ser muito elogiado, o
Grêmio pode tirar proveito da falta de experiência de Lucas, forçando
jogadas agudas de ataque pela sua área de campo. Escudero parece o homem
certo para este papel.
A jogada aérea, uma das principais armas do Grêmio neste campeonato,
também vem sendo explorada pelo Botafogo. Loco Abreu, alto e com boa
presença de área, é uma das principais armas da equipe. Com Elkeson de
volta ao meio campo, a qualidade do passe do Botafogo deve melhorar. No
entanto, o jogador já foi suspenso por duas vezes. Aposto que se o
Grêmio forçar um pouco a barra, ele estaria amarelado logo no começo do
jogo, facilitando a vida para o tricolor gaúcho.
É muito importante que Julio Cesar apoie e defenda, ao contrário do que
fez contra o Vasco. O Grêmio precisa de suas subidas ao ataque, em
complemento às de Mário Fernandes e a defesa não pode ficar
desguarnecida em se tratando especialmente de Abreu. Os laterais, pelo
menos um deles, precisam fechar junto com os zagueiros para garantir que
a defesa estará compacta, tanto para uma jogada aérea como para uma
penetração aguda pelos flancos ou pelo meio.
O Grêmio precisa é disso: estudar seu adversário e o que ele tem de
melhor e pior para, com o que Grêmio tem de melhor e pior, procurar
neutralizar o que precisa ser neutralizado e explorar o que pode ser
explorado em nosso favor. Somente estudando, avaliando com inteligência é
que o Grêmio poderá vencer um jogo contra uma equipe tão bem
posicionada na tabela e com ambições tão claras e definidas.
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quarta-feira, 21 de setembro de 2011
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Samba de Uma Nota Só
Dos quatro grandes do Rio, o Botafogo é um dos que melhor recebe os gremistas. Sempre acontecem confraternizações antes do jogo, não só entre as organizadas mas entre os torcedores comuns. A sensação de segurança no deslocamento até o Engenhão, os torcedores adversários dizendo “sejam muito bem-vindos” e “estão sendo bem tratados aqui?” dão mostras de que é possível sermos adversários sem sermos inimigos.
Mas a parte boa do jogo de ontem acabou por aí.
Quem lê meus textos com alguma frequência ou acompanha meus comentários no Twitter sabe que eu sempre defendi o Renato. Pra mim ele é Rei e estava sempre certo. Mas depois do jogo de ontem, não consigo mais defender meu ídolo. Renato errou. Escalou um time defensivo demais para atuar contra um Botafogo que não dispunha de seus dois principais jogadores, Loco Abreu e Jefferson. E confiou ao fraquíssimo Lins a missão de finalizar os contra-ataques do 4-5-1 com que o time entrou em campo. Não aproveitou Leandro por tempo suficiente. Meu querido Renato agora é o novo Professor Pardal do futebol brasileiro, com invenções técnicas e táticas imcompreensíveis, como colocar mais de dois laterais em campo ao mesmo tempo.
Ontem ficou claro o quanto o Lins não serve. O quanto o Renato erra ao não colocar Leandro pra começar. O quanto Rochenback faz falta. O quanto o Fernando ainda é imaturo. E o quanto o Douglas só joga quando quer.
Há muito deixei de acreditar na Maldição do Rio de Janeiro, da qual já reclamei e esbravejei tantas vezes. Na verdade, não é o mar de Copacabana que faz mal aos nossos jogadores. O Grêmio vem consistentemente mal com alguns lampejos de bom futebol. Peca por anos de falta de planejamento e por falta de senso de urgência. Enquanto Antônio Vicente Martins afirma que ‘não há prazo para reforços’, o Grêmio agoniza numa pequenez que não se via desde 1991.
Planejamento é trabalho de longo prazo. Não vai aparecer numa gestão de dois anos. Este pra mim é o nosso calcanhar de aquiles. As brigas políticas internas. Se uma gestão entrar forte em planejamento os resultados provavelmente só surgirão no próximo termo. E os louros também. Parece que nossos caciques preferem assim. Pequenos paliativos de curto prazo que o torcedor vai lembrar quem fez.
Os 20 minutos de apagão do Engenhão foram nada perto do apagão do Grêmio. Não apenas ontem. O Grêmio vem de uma década apagada, sem grandes títulos desde a Copa do Brasil de 2001. O Grêmio apagou em campo ontem e mostrou para todos nós que sem reforços urgentes não dá. E sem um planejamento consistente, só na década que vem.
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Renato Portaluppi
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