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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O retrato da apatia

O retrato da apatia. Este foi o Grêmio durante a maior parte da partida de sábado, contra o Coritiba no Couto Pereira. O Grêmio obviamente sentiu os desfalques, mas foi mais que isso. Pareceu estar encantado com a série de três vitórias e esqueceu de entrar em campo.

Brandão disputa a bola com Jeci (globoesporte.com)

A ausência de Douglas foi a mais sentida. Marquinhos, acostumado a complementar o meio campo com o colega, sentiu a responsabilidade de fazer sua função e simplesmente não jogou. Foi lento, errou passes fáceis e errou na distribuição das jogadas, sobrecarregando Escudero. O argentino, por sua vez, tentando compensar Marquinhos, não foi agudo na área adversária como nas últimas partidas. E teve Julio Cesar. Ao contrário de partidas anteriores, o lateral foi inseguro até nos lances mais banais. O primeiro gol Coxa Branca nasceu de um erro de Julio Cesar, ao cobrar o lateral. A bola sobrou no meio campo povoado do Coritiba, que decretou o 1x0 aos 14 do primeiro tempo.

E então "brilhou" nosso treinador. Com Brandão sofrendo lesão, ele colocou o garoto Manute, de apenas 16 anos e deixou com el a responsabilidade de ser o centro-avante tricolor. Demais para um guri recém saído dos juniores. Some-se a isso um Gilberto Silva perdido na zaga, um meio campo cheio de votlantes desorientados contra um time que teve toque de bola rápido e envolvente e estava pronta a receita para a derrota por 2x0.

Não é o fim do mundo perder fora de casa. O problema é que o Coritiba era adversária direto na classificação geral, e subiu várias posições com a vitória, ultrapassando o Grêmio. Nos resta agora torcer para que os desfalques retornem contra o Figueirense e o Grêmio reencontre o caminho das vitórias.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Com requintes de crueldade

Não vou fazer grandes análises técnicas e táticas do que vi no Engenhão no sábado. Não vou entrar no mérito da montagem do time, dos valores individuais, do departamento de futebol. O que vou dizer é que para os pouco mais de 1000 gremistas presentes à partida Flamengo x Grêmio esta derrota não foi só mais do mesmo. Nem a presença ilustre do Eduardo Bueno, o Peninha, nos ajudou a vencer o jogo. Foi uma derrota com requintes de crueldade.


Como vocês bem sabem, a torcida do Flamengo não nos recebe bem. Não faz churrascos, não nos passa segurança para andarmos na rua fardados, não é amistosa com os Gremistas. Como isso não é novidade para quem me lê, vou passar a outros fatos.
Para nós que moramos no Rio a situação chega a ser desesperadora. Assim como diversos amigos meus vim morar aqui em 2006. E todos nós sabemos que os deuses do futebol não tem sido generosos conosco desde então. Sem contar o desastre de 2006, e o vice na LA07, somos obrigados com conviver com Flamengo campeão em 2009, Fluminense campeão em 2010 e Vasco campeão em 2011. Uma era de ouro para o futebol carioca e de latão para nosso Grêmio.
Chego ao cúmulo de pensar que a culpa é minha. Alguma coisa aconteceu no meio do caminho para que eu chegasse a ver meu Grêmio multi-campeão na situação em que está. Para que eu chegasse a ver meu goleiro de seleção caído em campo após um gol ridículo. Para que quem o humilhou fosse cria da nossa casa, que cuspiu no prato em que comeu e que o projetou para o mundo.

Quantos textos sobre derrotas do Imortal no RJ eu já enviei para este blog? Quantos outros ainda vou enviar? E no sábado, vendo a lambança do meu querido Victor na frente daquele cujo nome me recuso a dizer, tudo o que eu conseguia pensar era: “por que ainda perco meu tempo vindo ao estádio?”
E enquanto eu ía pra casa, mais cedo para não sofrer no trem com os flamenguistas, eu mesma respondia minha pergunta. Eu vou porque acredito. Vou porque o Grêmio é muito maior do que essa fase horrorosa que nos acompanha há alguns anos. Vou porque mudo de cidade, de emprego, de país, mas não deixo de ser quem eu sou. E o que eu sou é torcedora de muito mais que um clube. O que eu sou é entusiasta do impossível. E vou continuar sendo, não importam os jogadores, dirigentes e mesmo resultados.
O que me leva aos jogos é crença inabalável de que tudo vai ser diferente. É a alegria da nossa torcida (veja a chegada da Geral ao Estádio aqui). É o meu sangue, que sei que é de outra cor.
Peço desculpas aos leitores do blog pela melancolia deste texto, mas é melancólica que eu me sinto neste momento.